As Cidades Asilo

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Nanmoku é a cidade mais idosa do Japão. Tem 22 mil habitantes, dos quais 52,7 por cento têm 65 anos ou mais.

Os responsáveis desta cidade da província japonesa de Gunma estão desesperados. Necessitam urgentemente de gente jovem, de renovar a sua população ou então preparar-se para “desaparecer do mapa”.

Numa derradeira tentativa de inverter esta situação dramática, a cidade oferece desde Dezembro passado, uma casa e 150 000 yenes (cerca de 1300 dólares) a quem tenha entre 20 a 40 anos de idade e se mude para a cidade pelo menos por 3 anos participando num programa de revitalização urbana e social que estão a implementar.

Até ao meio dia do passado dia 29 de janeiro ninguém tinha concorrido ao programa.

O desespero é total e a cidade, que sobrevive essencialmente do cultivo de konnyaku (espécie de batata) e flores, procura urgentemente novas ideias que contribuam para inverter a certeza da morte, já que se estima que por volta de 2040, a cidade, a manter esta tendência, ficará reduzida a pouco mais de 600 habitantes

Nanmoku, está encravada no meio de uma região montanhosa. Não tem autoestrada nem comboio. Os seus residentes têm de dirigir-se a uma localidade vizinha para aceder a uma estrada ou ao caminho-de-ferro.

Entretanto, e após a divulgação desta notícia pelos média internacionais, a cidade recebeu dezenas de contactos e pedidos de informação por parte de cidadãos estrangeiros (a maioria sul-americanos). As autoridades da cidade japonesa, não fecham a porta aos potenciais emigrantes, contudo, ressalvam, “quem quiser aderir ao programa tem de radicar-se no país e conseguir um visto em conformidade”.

Também confirmaram que a ideia era atrair residentes vizinhos e japoneses uma vez que a questão da língua é essencial, assim como o é a necessidade de um visto. Ou seja, apesar de não impedirem as inscrições, garantem que não estavam a planear receber estrangeiros.

Isto apesar de o programa, denominado Chiiki Okoshi Kyoryu Tai, não ter um só inscrito até 26 de Janeiro acuando da divulgação da informação no diário Yomiuri. Em japonês claro.

 

Entretanto na Europa…

 

O problema demográfico é uma das dores de cabeça mais evidentes das autoridades daquele país asiático. Está em causa o equilíbrio sustentável da nação num médio prazo que se encurta de forma galopante! O aumento da esperança de vida, o cada vez menor número de nascimentos nas famílias e consequente desequilíbrio geracional está a atingir patamares alarmantes no país do “Sol Nascente”.

Mas é também a história presente da “velha” Europa (em 2025 mais de 20 por cento dos Europeus terá 65 anos ou mais com um especial e rápido aumento do número de maiores de 80 anos), onde abundam variadíssimos casos de cidades ou regiões que procuram promover incentivos à natalidade, por exemplo, mas também de outro tipo, para atrair residentes e fixar populações. Mas há, contudo, a sensação de que não aparecem resultados visíveis dessas políticas (e algumas com décadas). Ora, essa ausência de resultados e a continuação de medidas aparentemente “inócuas” transforma este problema gravíssimo na grande maioria dos países da Europa, com especial ênfase para o caso de Portugal, num degradante palco de propaganda político-partidária que ocorre de forma programada e notória em ciclos eleitorais e cujos resultados, na prática, são residuais e pouco expressivos, ficando bastante longe da solução necessária e da urgente seriedade política que todos devem interiorizar na abordagem a este drama, independentemente de ciclos políticos ou interesses eleitorais.

As cidades asilo estão a crescer em Portugal e na Europa e de uma forma geral é um problema do ocidente. E há problemas nefastos para as sociedades livres e contemporâneas que mais cedo ou mais tarde se manifestam. O caso do êxodo de populações, sobretudo jovens, para as cidades maiores, em busca de emprego, melhores condições de vida, oportunidades, pressiona de forma constante os pilares que as sustentam. Os equilíbrios tornam-se delicados e as mais pequenas oscilações mostra-nos realidades da “cidade cinzenta” e desumana.

Por outro lado, as populações jovens, criativas, inovadoras, tendencialmente integram os contingentes desse êxodo, deixando para trás o campo, a província, as pequenas cidades, onde se acentuam as diferenças demográficas. Resistem as camadas de cidadãos mais envelhecidas, acomodadas, com poupa propensão para o risco, para a inovação e empreendedorismo. Há no meio desta tendência também uma orientação ideológica mais conservadora que se incrusta em muitas das políticas e administrações das pequenas e médias cidades. Entre diversos ciclos viciosos, restam cada vez menos recursos, sendo que, um dos óbvios e obrigatórios deverá ser sempre a inteligência, mas também a consciência. Porque, pior do que não entender, é não ver.

Esta publicação também está disponível em: Inglês, Espanhol

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Vitor Pereira

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After 20 years of Journalism and Media Professional, I'm dedicated since 2008 to new projects related with Innovation and Technology. Consultant of many municipalities to the Smart Cities theme and Tourism sector based on the newest technologies and communication tools.

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