A “semana mais inteligente” acolhida em Toronto

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Toronto foi por estes dias a cidade mais Inteligente do planeta. A icónica cidade canadense albergou o SMART WEEK 2014, um evento essencialmente voltado para a Internet das Coisas (Internet of Things) que está a “tornar-se uma base profícua de dispositivos, sensores, e poder de computação” que está a englobar consumidores, business-to-business e governos.

Os problemas relacionados com a privacidade, a segurança, e protocolos foram nota dominante do evento, com algumas das maiores mentes e especialistas mundiais de sectores de computação científica, matemática, indústria tecnológica emergente, etc.

Uma das oradoras, Ann Cavoukian (Directora executiva do Instituto para a Privacidade e Big Data da Universidade de Ryerson), apresentou uma nova forma de apresentar o tema da privacidade. “Estamos na década da privacidade por design”, referindo-se ao seu projeto Privacy by Design (www.privacybydesign.ca) que está a ser adoptado já por imensos países, governos, empresas, etc. Ann refere que é preciso um ambiente positivo/colaborativo em vez de anulação entre conceitos, “substituir o vs. pelo ‘e’…”

 

Cidade de Toronto, ambiente humano

 

O SMART WEEK 2014 é uma iniciativa que nasce no seio da Universidade de Toronto, uma das mais conceituadas do mundo e também não é estranho que tal ocorra. Toronto, nos últimos anos tem dado sinais para o mundo de que é uma Smart City a sério. Por exemplo, consegue ter todas as vertentes que muitas cidades estão a discutir neste momento. Tanto a tecnológica como a humana.

Toronto tem a mobilidade, com o seu sistema de Bike Sharing e também o seu sistema de Transportes Públicos bem cimentado na comunidade.

A cidade, que tem sido considerada por muitos como a mais inteligente do planeta tem outros pontos fortes. Por exemplo o seu sentido comunitário e humano.

IMG_7570Enquanto passeava pelo imbatível Kensignton Market – um bairro icónico repleto de vintage, hipster, street art e parafernália urbana, mas também alguma notória presença de proscritos e indigentes que se misturam com novos, velhos, turistas e residentes – assisti a um episódio de pastilha-elástica-cuspida-para-o-chão. Um jovem nos seus 20 e poucos anos inadvertidamente deitou fora uma pastilha no passeio, logo nesse instante, uma senhora alertou-o de uma forma autoritária e bastante zangada até, para esse facto que não é socialmente aceitável, nem mesmo em Kensignton Market, onde abundam as paredes pintadas, os grafites, algumas casas devolutas e inabitadas e até lacustres (não estivéssemos no Halloween algumas até pareciam propositadamente decoradas). O resultado foi que o dito jovem teve de recuperar o adereço gustativo do chão e coloca-lo no sitio certo, o lixo.

Fantástica esta interação humana. E sim, talvez o facto de estarmos em pleno período eleitoral municipal, que coloca cartazes de apoio aos candidatos em todos os jardins (privados) da cidade, pode contribuir para uma maior “atenção cidadã” por parte dos habitantes de Toronto. Certamente inspirados pelos debates televisivos que juntam os candidatos locais. Assisti a um desses debates na TV e mais do que obras e grandes despesas com o hardware da cidade, os candidatos em Toronto falam do sentido de comunidade, da solidariedade, da absoluta necessidade de tratar bem os cidadãos, contribuir para o seu bem estar e felicidade. Sim, neste aspecto Toronto também surpreende apenas aqueles que não estão acostumados com o rigor e a subtileza humanista e purista dos povos da América do Norte (e já nem recordo a história os primeiros colonos pois daria pano para mangas). A cidade de Toronto é um farol a seguir. Em todos os aspectos.

 

Humanidade VS Tecnologia ou Humanidade E Tecnologia

 

IMG_7779E voltando ao SMART WEEK 2014, sem dúvida que a mistura das facetas humanistas que referi – e que a cidade sintoniza e coloca na ordem do dia manifestando-se a cada instante, em cada canto – e os aspectos da tecnologia pura e dura da Internet das Coisas, por exemplo, é bem indicativa do quão à frente estão de muitos que ainda se dedicam apenas à colocação e adopção de tecnologia para as suas cidades. O sentido não é comprar tecnologia, o sentido, para Toronto, é canalizar o bem que a tecnologia produz, para a sociedade em geral e a existir uma máquina que faça a hibridização com os humanos, quase de certeza que ela será inventada por estas bandas.

O Smart Week decorreu durante 3 dias e teve como palco a Universidade de Toronto e Centros de Investigação de importância mundial como o MArS. Aliar a medicina, a tecnologia, a cidade e o cidadão e já agora, pela parte que me tocou, o turismo, foi um passo importante para o mundo globalizado tanto nos problemas, como nas soluções. Se iremos conseguir humanizar a tecnologia ou se a tecnologia nos vai ‘maquinar’ só o futuro dirá, mas pelo que ocorre no mundo, a tendência é para uma Smart City mais humana do que tecnológica ao contrário do que sucedeu em tempos. E a humanidade precisou em tempos de tecnologia, hoje, mais que nunca, necessita de humanos.

 

ORIGINALLY PUBLISHED @ SUSTAINABLE CITIES COLLECTIVE

 

Esta publicação também está disponível em: Inglês

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Vitor Pereira

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After 20 years of Journalism and Media Professional, I'm dedicated since 2008 to new projects related with Innovation and Technology. Consultant of many municipalities to the Smart Cities theme and Tourism sector based on the newest technologies and communication tools.

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