A Veniam Works desenvolve novas tecnologias para ligar carros em rede

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A portuguesa Veniam Works está pronta para mostrar ao mundo como os carros e os veículos em geral podem ser, literalmente, transformados em Pontos de Acesso Móveis (Hotspots). O sonho, nascido em duas das universidades mais importantes do país: Porto e Aveiro, pela mão de dois jovens investigadores e peritos académicos, e que estão a desenvolver algumas das tecnologias mais inovadoras do mundo neste sector particular, que está em enorme expansão a nível global com marcas gigantes como a Microsoft, a Google e a Apple a envolverem-se em conjunto com os seus ‘gadgets’ noutras marcas globais, também elas muito conhecidas, do sector automóvel. Não há volta a dar, já temos carros ligados em rede no mercado, mas Susana Sargento e João Barros querem ir ainda mais longe neste campo particular, criando redes ‘mesh’ com a novíssima tecnologia portuguesa, otimizada, fiável e patenteada. Cidades Inteligentes, Cidadãos Inteligentes, Carros Inteligentes, Tudo Inteligente? Com certeza!

 

Entrevistámos Susana Sargento, cofundadora desta startup portuguesa.

Como é que a Veniam Works surgiu em Portugal?
A Veniam’Works é uma Spin-off de 2 Universidades, Aveiro e Porto (e do Instituto de Telecomunicações, tanto de Aveiro como do Porto), e é o resultado do trabalho realizado nestes grupos. Começou em Portugal, naturalmente, mas com uma visão Internacional desde o início, integrando 2 grandes empreendedores internacionais como fundadores, Robin Chase e Roy Russel, em conjunto com a Susana Sargento e o João Barros.

Quais os produtos e serviços que fornecem?
A VENIAM tem como objetivo ser a empresa número um na ligação de veículos à Internet. As tecnologias de redes da Veniam irão transformar os veículos em pontos móveis de acesso à Internet, trazer os dados dos carros para a nuvem e formar uma rede mesh de carros, que podem ser utilizados para aplicações de negócios, lazer e segurança, tal como, entrega de dados máquina a máquina (M2M). O nosso principal produto é uma solução pós-venda fácil de utilizar para ser colocada nos carros para os ligar à Internet. Cada caixa tem um gestor inteligente de ligação para comutar sem interrupções entre tecnologias veiculares, WiFi e celulares para fornecer a ligação sem fios à Internet mais barata e mais fiável.

Qual é a importância de estarem ligados à investigação académica em duas das universidades mais importantes de Portugal?
Tanto a Susana Sargento como o João Barros são professores Universitários (Aveiro e Porto). A tecnologia que estamos a desenvolver é nova e é a primeira vez que está a ser aplicada em tão grande escala, tal como fizemos nos nossos projetos pilotos em Leixões e na cidade do Porto. A pesquisa de novas soluções e abordagens é inerente a este projeto e empresa, pelo que, a ligação às universidades e aos nossos grupos de investigação é realmente uma chave para o sucesso.

Existe mercado para a tecnologia de veículos ligados em rede? Quais são os progressos a decorrer por todo o mundo, neste momento?
Com certeza, e o mercado é gigante! Temos todas as cidades no mundo a tentar serem inteligentes e mais eficientes, e para além de fornecermos acesso à Internet, somos capazes de fornecer todos os sensores, utilizadores e informação de transporte para proporcionar às aplicações de máquina a máquina, tais como gestão de tráfego, gestão de frota, distribuição e controlo de poluição. Em locais mais controlados, podemos melhorar a operação global em portos, aeroportos, estaleiros de construção, minas ao ar livre e grandes fábricas. O mercado é enorme, e é fundamental que estejamos concentrados desde o início.
Por todo o mundo, há muitos avanços na ligação de equipamentos em rede para toda esta operação inteligente, mas isto não está a ser feito com uma tecnologia sem fios de tão grande alcance e num ambiente de rede mesh, onde podemos oferecer grandes benefícios a custo reduzido.

E em Portugal, quão longe pensa que estamos da nova realidade “ligada em rede”?
Surpreendentemente, vemos os nossos parceiros muito interessados na nossa tecnologia, e às vezes são eles que nos dão ideias de aplicações que irão utilizar a tecnologia e os pilotos que desenvolvemos! Portugal está agora certamente à frente de muitos países, e para nós, os pilotos que desenvolvemos são as nossas montras para disseminar por todo o mundo que estamos aqui, a trabalhar e prontos para a expansão mundial!

veniam_3Quais são os maiores obstáculos que encontra no nosso país? Falta de profissionais, especialistas ou criatividade, ou falta de administrações com abertura de espírito e soluções corporativas herméticas?
Portugal é certamente bom nos profissionais e especialistas, e temos sido capazes de termos connosco os melhores dos melhores!
Se bem que tenhamos tido muita sorte com a administração dos nossos parceiros, sim, às vezes há alguns obstáculos que temos de ultrapassar. Mas no fim de contas, não nos podemos queixar da abertura de espírito das nossas administrações.

E sobre a sensibilização, não apenas das administrações pública e municipal, mas também dos nossos cidadãos? Sente que estão todos prontos para adotar o novo paradigma da IoE (Internet de Tudo)?
Vemos as administrações públicas e municipais (principalmente do Porto onde desenvolvemos os pilotos) muito entusiasmadas, e o valor da tecnologia é claro para elas. Tal como referido, são elas que vêm com ideias de como alavancar e fazer uso das tecnologias desenvolvidas!

 

As vantagens que esta tecnologia terá em termos de energia reduzida (operações e tráfego controlados) e em termos de custos irão torná-la sustentável e gerar mesmo grandes rendimentos

 

Como vê o futuro dos carros ligados em rede? Espera que a Europa siga o exemplo da América para começar a promoção dos padrões na indústria?
Tem sido a realidade desde há alguns anos! Irá acontecer num futuro próximo e as novas marcas de carros irão incluir a tecnologia veicular desde o início. Nessa altura, já teremos aprendido tudo o que necessitamos para pôr as redes de carros a funcionar, e esperamos incluir o nosso software em todos os carros.

Como enfrenta os desafios da energia e da sustentabilidade com as suas soluções?
As vantagens que esta tecnologia terá em termos de energia reduzida (operações e tráfego controlados) e em termos de custos irão torná-la sustentável e gerar mesmo grandes rendimentos.

O que espera do apoio financeiro público e comunitário para estas soluções? Acredita que irão resistir na Europa (e no mundo)?
Os nossos primeiros objetivos são as frotas para as quais podemos fornecer benefícios diretos e aumentar a massa crítica para pôr a nossa rede a funcionar com a fiabilidade exigida. O público e a comunidade irão então fazer uso da tecnologia já instalada, e se virem os benefícios dela, serão capazes de melhorar o seu apoio. No entanto, isto pode ser feito através de uma parceria com os operadores de telecomunicações, em vez de diretamente ao público.

Quais são as vossas vantagens para a concorrência chinesa, indiana, e até mesmo americana e europeia? Sente que o nosso país poderia estar na linha da frente da tecnologia mais inovadora neste setor específico?
Temos uma tecnologia que é nova! Temos uma rede e uma plataforma que são únicas! Estamos a aprender mais rapidamente que quaisquer outros para pôr a nossa rede a funcionar e a melhorá-la gradualmente. Estamos a dominá-la antes de quaisquer outros, porque estamos a aprender mais cedo e mais rápido, patenteando a nossa Propriedade Intelectual, e posicionando-nos como líderes na indústria do software de redes para carros e frotas ligados à Internet.

Publicado em 9 de Junho de 2014 no SustainableCitiesCollective

Publicado em 10 de Junho de 2014 no Blog oficial do Connected Cars 2014 – Amsterdam

Esta publicação também está disponível em: Inglês, Espanhol

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Vitor Pereira

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After 20 years of Journalism and Media Professional, I'm dedicated since 2008 to new projects related with Innovation and Technology. Consultant of many municipalities to the Smart Cities theme and Tourism sector based on the newest technologies and communication tools.

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