Parlamento Europeu publica relatório de análise das Smart Cities na Europa

O Parlamento Europeu acaba de publicar um relatório mapeando Smart Cities na União Europeia. Trata-se de uma tentativa de identificar o número de ‘smart cities’ e as suas actividades em toda a Europa. Como habitual, é um relatório confuso, pesado e difícil de resumir ou retirar excertos. Mas define uma smart city como “uma cidade à procura de resolver problemas públicos através de tecnologias desenvolvidas e implementadas numa base multi-stakeholder de parcerias”.

Esta é uma das faces do que pretende ser uma definição mais concreta indo em detalhe aos tipos de ações e áreas de intervenção, que já são mais reconhecíveis:

Smart Economy
Smart Mobility
Smart Environment
Smart People
Smart Living
Smart Governance

Curiosamente, é definida smart city no propósito deste estudo como qualquer cidade que tenha atividades desenvolvidas nestas áreas. É uma definição abrangente e não surpreende que em 468 cidades de cerca de 100,000 habitantes sejam identificadas 240 ‘smart cities’ (cerca de metade). Com cidades maiores tendencialmente em condições de serem mais smart que as pequenas.

Mas existem algumas questões relacionadas com a metodologia utilizada pelos investigadores para identificar estas cidades e as suas atividades. Estes usaram informação publicada, as páginas Web das próprias cidades e também utilizaram informação, no caso de existir, de projetos financiados pela UE, especificamente para a temática Smart Cities. Os próprios reconhecem que há informação que pode ter passado ao lado, referente a cidades, por exemplo, que não são exímias em publicitar e comunicar ou até partilhar os seus trabalhos.

Os investigadores analisaram os diferentes tipos de ações e concluíram que as ações relacionadas com ‘ambiente’ e ‘mobilidade’  são as mais comuns com 33% e 21% das iniciativas smart, respetivamente.

Mas rapidamente o estudo passa deste alargado número de cidades, para um grupo restrito de 37 cidades e depois em pormenor 20 cidades que são analisadas ao pormenor em cada uma das fases até, finalmente, chegar a uma observação mais detalhada de 6 cidades onde se concentra a maior atividade ’smart city’.  Estas cidades, sem surpresas, integram:

  • Amsterdão
  • Helsínquia
  • Barcelona
  • Copenhaga
  • Manchester
  • Viena

O relatório foi enviado à comissão com  intuito de introduzir recomendações. Os relatores descobriram que a maioria das iniciativas nas smart cities não estão amadurecidas – e assim reconhecem que há uma ‘fonte’ de atividade que está por planear e programar por toda a Europa nesta área.

Também foram identificados factores chave por detrás das bem sucedidas Smart Cities, tais como: lideranças inspiradoras; uma abordagem inclusiva para evitar polarizações; e a necessidade de uma administração especializada e dedicada ao tema para executar as iniciativas.

Uma preocupação chave da Comissão e dos parceiros, expressa neste estudo Smart Cities and Communities European Innovation Partnership é a necessidade de identificar soluções escaláveis. O relatório conclui que esse objectivo de escalabilidade/disseminação seria mais adequado se:

  1. O potencial para expandir a escala de projetos já existentes (adicionando parcerias ou áreas) ou duplicando projetos em outras áreas poderia ser reforçado por uma administração forte, patrocínios sustentáveis e um mix ideal de clusters.
  2. Os cidadãos são peças importantes nas “Vizinhanças Smart” e iniciativas de ‘plataformas de participação’, logo deveriam ter papéis estratégicos no desenvolvimento e execução.
  3. A participação de uma empresa privada (idealmente nacional ou de um país membro) como um elemento chave em paralelo com as autoridades da cidade e as empresas locais pode providenciar uma base institucional para aumentar a escala. Contudo, também existe o risco de acumulação excessiva de posição dominante no mercado nessas empresas específicas.
  4. É necessária cooperação entre cidades para criarem plataformas comuns de Smart Cities para desenvolvimento em larga escala e testes.

O relatório pede mais investigação e dados, o estabelecimento de uma Plataforma Europeia de Smart City, bem como, o estabelecimento de regras e medidas bem definidas para aumentar o suporte por parte da Comissão Europeia para as Smart Cities e comunidades.

Trata-se de um relatório voluntarioso, uma tentativa de resumir a atividade smart city na UE e tem algumas falhas. Mas começa por colocar em escala a quantidade de atividade que está a acontecer e a relativa imaturidade do conceito e o que necessita para evoluir. Também sustenta a necessidade de existirem novos investimentos pelas cidades, governos nacionais e a própria UE nesta área.

Não é justo abordar em tão pouco espaço e com poucas palavras a qualidade de todo o documento, nem se pretende fazer um resumo exaustivo do mesmo, pelo que se aconselha uma leitura do mesmo através deste link:

DESCARREGAR RELATÓRIO

Esta publicação também está disponível em: Inglês, Espanhol

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Vitor Pereira

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After 20 years of Journalism and Media Professional, I'm dedicated since 2008 to new projects related with Innovation and Technology. Consultant of many municipalities to the Smart Cities theme and Tourism sector based on the newest technologies and communication tools.

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