Cidade Aberta em Barcelona até Março

O Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB) arranca já no dia 27 de Janeiro e até Março com o Ciclo de Conferências “Cidade Aberta”. Uma iniciativa integrada no projeto “Europe City” apoiado pelo Programa de Cultura da União Europeia e também integrado no Tricentenário BCN 2014.

Trata-se de um ciclo de nove conferencias com a participação de Evgeny Morozov, Josep Maria Benet i Jornet, Marta Segarra, Manuel Forcano, Bruce Bégout, Rafael Chirbes, Erri de Luca, Richard Sennett y Kamila Shamsie.

Um leque de estudiosos, investigadores, criativos, pensadores, que vão refletir e colocar em evidência os diferentes pontos de vista relativamente à cidade.

Uma cidade da qual emerge diariamente uma nova cidade, resultado dos movimentos incessantes dos seus habitantes e de cruzamentos diversos das suas histórias, “da inesgotável fricção e mistura da vida das suas ruas”, lê-se no texto de apresentação da iniciativa.

Este ciclo pretende refletir exatamente sobre essa “rua”, enquanto “casa colectiva”. Trata-se do pilar da forma urbana, a sua abertura é a condição e a essência da cidade, a medida da sua vitalidade e da sua força criativa.

Contudo, esta condição carrega em si um inevitável conflito, ambiguidade, inovação e risco. Daí que as tensões entre fechar e abrir são constantes mesmo sabendo que a cidade, por definição, “é algo inacabado, polimorfo, resistente à determinação e ao controle”, proliferam ameaças, mecanismos e estratégias de encerramento, colocação de cercas e limites com intuito de disciplinar, integrar e reduzir “a genuína heterogeneidade cidadã”.

Para os promotores, a cidade aberta é uma ferramenta para pensar: uma aspiração, uma condição utópica, um horizonte de idealismo. “A sua matriz, imperfeita e incompleta, torna possível sonhar a cidade como um espaço de emancipação”, permitindo por a nu todas as problemáticas da vida em comunidade, as suas lógicas de exclusão, as estratégias de sobrevivência e as inevitáveis dissonâncias.

Cidade aberta (I) Democracia, tecnologia e cidades

Evgeny Morozov é o primeiro conferencista. O tema das tecnologias e a forma como transformaram e estão a transformar o mundo, por exemplo, tornando (em variados aspectos) as nossas vidas mais eficientes, mais cómodas e até divertidas.

Contudo, segundo o investigador, especializado nas novas tecnologias, “diversas vezes as consequências politicas e sociais de toda estas evoluções passam despercebidas”.

Na perspetiva de Evgeny Morozov, o mundo está a delegar na engenharia técnica a nossa própria responsabilidade na gestão de áreas fundamentais da nossa vida privada e pública, da sociedade e da política, “aceitando acriticamente estas transformações e as suas consequências”, refere.

O investigador questiona-se sobre os desafios e ameaças que surgem quando os espaços públicos se tornam “inteligentes” e passam a integrar sensores, câmaras e outros meios de regulação algorítmica. Também provoca as grande companhias tecnológicas, “com agendas de negocio que estão a impor em todo o globo como condição inevitável da digitalização. “Em plena transição da era pós-Snowden, o preço de deixar a computação ubíqua em mãos de companhias privadas tornou-se dolorosamente claro”, afirma. “Como poderiam as cidades beneficiar da tecnologia sem sucumbir aos excessos optimistas da smart city?”, questiona.

Pode conferir aqui os restantes oradores deste ciclo de conferencias.

 

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Vitor Pereira

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After 20 years of Journalism and Media Professional, I'm dedicated since 2008 to new projects related with Innovation and Technology. Consultant of many municipalities to the Smart Cities theme and Tourism sector based on the newest technologies and communication tools.

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