Google entra na mina de ouro da Internet das Coisas

Google_NestA chamada “Internet das coisas” ou “Internet of Things”, pode ter recebido uma das mais importantes contribuições para o seu futuro desenvolvimento com a tão falada aquisição da Nest pela poderosíssima Google. Trata-se de um investimento de largo prazo e estratégico para a Google que muitos podem não ter ainda percebido bem o contexto em que surge, mas os 3,2 biliões de dólares, uma valor muito acima da real avaliação da startup (800 milhões de dólares) denunciam essa estratégia do gigante americano, que claramente vê muito mais potencial no projeto do que um simples detector de fumo ou termóstato.

A Google ainda pouco ou nada disse relativamente a esta aquisição, mas demonstra bem o interesse da companhia em embrenhar-se a sério pela “Internet das Coisas” ou mais cientificamente conhecido como o gráfico físico.

Já conhecíamos o gráfico do conhecimento (o que sabemos), o gráfico social (com quem convivemos) e o gráfico do interesse (o que gostamos de fazer) e o potencial que todos esses dados têm agregados. A Google, tal como outros gigantes tecnológicos, está envolvida profundamente em todas estas áreas mas até agora havia poucos desenvolvimentos relativamente ao gráfico físico, aos padrões emergentes dos movimentos dos cidadãos e como estes interagem com os sistemas físicos no seu dia-a-dia.

Segundo o responsável do departamento da “Internet das Coisas” da IBM, “os dados são o que mais interessa em tudo isto, um aparelho isolado por si próprio não é interessante, mas se começarmos a juntar outros e a recolher dados de diferentes origens, isto é informação enorme e valiosíssima”.

As Coisas que Todos Desejam

O potencial é enormíssimo, por exemplo, para utilizadores de sistemas smart, significa uma total optimização de tarefas quotidianas e mundanas, que se tornam totalmente automatizadas. Já todos conhecemos o controle de luz das divisões, o controle de temperatura ambiente, etc. mas há um verdadeiro tesouro por descobrir no vastidão de dados que o gráfico físico tem para fornecer.

Este tipo de dados era dos poucos que estava ainda fora do alcance da Google e, na perspectiva deles, a Nest surgiu como uma mina de ouro completamente inexplorada. Como é óbvio, um cheque de 3,2 biliões de dólares não passa despercebido e sabe-se de imediato que alguma coisa importante está em jogo e não é um simples termóstato. É um “olho” perfeitamente integrado nas nossas salas de estar.

O Nest pode abrir caminho para a “casa consciente”, um termo vago mas que podemos entender olhando para a própria aplicação dos produtos da Nest: se tivéssemos um termóstato Nest e o Detector de fumo, o sistema de Proteção diria ao Nest para desligar o sistema de aquecimento, no caso de detectar monóxido de carbono.

Desde o inicio que a Nest tinha planos mais ambiciosos para o seu termóstato que é muito mais do que parece. O dispositivo estava desenhado para funciona como uma espécie de ‘hub’ com outros dispositivos conectados.

Porta dos fundos para a Casa Conectada

Também a Google pensa em longo prazo e, durante muitos anos, tem estado muito interessada na temática da casa conectada. Contudo, os casos bem sucedidos têm sido parcos. Por exemplo, o Android @Home foi lançado em 2011 mas teve um sucesso limitado com a morte prematura da companhia Nexus Q. O Chromecast tem tido mais algum sucesso, mas não passa de um simples dispositivo de streaming.

Comprando a Nest, a Google tornou-se instantaneamente líder no sector da casa conectada e colocou-se no caminho que todos procuram que é o de “aprender” tudo o que puder do comportamento dos cidadãos nas suas próprias residências.

Com o Nest, a Google entra no piso zero do edifício da mina de ouro dos dados físicos. E Basta pensarmos no potencial que tem os gráficos de movimentos de uma pessoa pela sua própria casa e como utiliza os seus dispositivos no dia-a-dia. Combinando esses dados com outras origens já existentes, como os dos dispositivos electrónicos (smartphones, tablets e outros), no espaço de dias, as nossas casas poderiam automatizar um sem número de tarefas rotineiras e dar-nos inclusive conselhos e sugestões para viver melhor.

E é uma questão de tempo para que os dados físicos recolhidos comecem a dar luz a padrões que a Google se encarregará de decifrar, coisa que já o faz atualmente com os outros dados.

O Lado Escuro dos Dados

Se tudo isto é um maravilhoso mundo novo todos os dias para os entusiastas de Big Data e Smart Cities, as questões de privacidade e segurança assustam outros tantos e amplificam-se os protestos quando essas questões se instalam debaixo do nosso próprio teto. As preocupações com intrusões e hacking tornam-se mais sérias quando o dispositivo em questão não é só um computador que corre apenas aplicações mas também tem acesso à nossa água quente e ao sistema de aquecimento. O medo do Big Brother Orweliano está bem presente nos dias de hoje e falta perceber se a moda, o bem-estar e a funcionalidade destes dispositivos, que querem tornar a nossa vida mais perfeita, ultrapassa os nossos medos e receios.

Por outro lado, não só a Google, mas outras companhias e até investigadores, psicólogos e líderes de opinião afirmam que existe já um conformismo entre os cidadãos de algumas partes do globo e que aceitam, sem dramas, que a recolha de dados é uma inevitabilidade e uma vantagem para muitos dos aspectos essenciais da sua vida quotidiana.

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Vitor Pereira

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After 20 years of Journalism and Media Professional, I'm dedicated since 2008 to new projects related with Innovation and Technology. Consultant of many municipalities to the Smart Cities theme and Tourism sector based on the newest technologies and communication tools.

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