Uma pequena cidade do interior é uma Smart City?

A Rede Portuguesa de Cidades Inteligentes foi oficializada no passado dia 12 de Novembro. Tratou-se de uma evolução natural da Renewable Energy Living Lab (RENER), criada em 2009 pela INTELI – Associação Inteligência e Inovação e que, na altura, instalou nas cidades de Sintra, Porto, Vila Nova de Gaia, Loures, Cascais, Braga, Almada, Guimarães, Coimbra, Leiria, Viseu, Setúbal, Viana do Castelo, Aveiro, Torres Vedras, Santarém, Faro, Évora, Castelo Branco, Guarda, Beja, Portalegre, Bragança e Vila Real pontos de carregamento da Rede Piloto do MOBI.E, com vista à operacionalização da primeira fase do Programa para a Mobilidade Elétrica, no âmbito da Conferência Internacional sobre Mobilidade Eléctrica que tinha sido lançado na altura no seio da União Europeia.

Entretanto, a estrutura criada permitiu o desenvolvimento de uma rede moderna e interligada e a consequente obtenção de dados diversos que permitiam analisar, praticamente em tempo real, informações relevantes acerca do MOBI.E.

A INTELI decidiu agora avançar e acompanhar a crescente temática das Smart Cities que é, inclusive, uma das prioridades de financiamento do programa Horizonte 2020 da União Europeia já em curso.

Com a criação da Rede Smart Cities Portugal (www.smartcitiesportugal.net), todas as cidades que integram a RENER, passam também a ser associadas na nova plataforma.

Uma das primeiras iniciativas da INTELI com vista ao enquadramento estatístico das 25 cidades que integram a RENER, foi o lançamento do “Índice de Cidades Inteligentes de Portugal” no passado mês em Barcelona (no Smart Cities Expo World Congress). Um documento extenso, que utilizou informação disponibilizada pelos próprios municípios e a trabalhou de acordo com os parâmetros específicos das Cidades Inteligentes.

Assim, as dimensões em foco eram a Sustentabilidade; Governação; Inovação; Inclusão e Conectividade. Cada dimensão revela informação útil para os cidadãos nos mais variados aspectos e está disponível online na página web da INTELI. Contudo, pode-se resumir que se torna evidente que há diferenças substanciais entre as cidades do litoral e as do interior, sendo que, Lisboa, lidera praticamente todos os ‘rankings’, o que também não representa uma novidade já que é a capital do país e onde se concentram inúmeros pontos essenciais e indispensáveis a um ecossistema ‘Smart’.

No caso específico de Bragança, destaca-se na dimensão da Governação (Participação publica, serviços públicos, transparência, etc), juntamente com Lisboa, Aveiro, Viana do Castelo e Almada.

Nas restantes dimensões, Bragança consegue resultados medianos na Sustentabilidade (biodiversidade, ecologia, ar e emissões, água e resíduos, etc.) e Conectividade.

Mas é na Inovação que parece haver muito para fazer (mesmo assim, fica à frente de Santarém e Portalegre). As sub-dimensões Empreendedorismo, I&D e tecnologia, Economia Verde e Economia Social colocam Bragança bastante abaixo dos índices ideais para uma Cidade Inteligente, contudo, e sendo este um documento de reflexão e estudo, existe o objectivo de desencadear ações de implementação de Boas Práticas nestas cidades que contribuam para fazer evoluir estes números. Também a recente constituição da Rede Ibérica de Cidades Inteligentes é um passo para a partilha de experiências e soluções, minimizando custos e contribuindo para uma efetiva aplicação de conhecimentos e ferramentas com vista a uma melhor organização das cidades tornando-as abertas, funcionais e, sobretudo, ligadas aos seus cidadãos.

Vitor Pereira

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